quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias...

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!


Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...
                                     (A dor, Florbela Espanca)



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

reflexões de quem não tem sono e nada produtivo em vista... (5)

Porquê a obrigatoriedade da gravatinha e do fato numa entrevista de trabalho? Menos sentido faz quando ao exercê-lo temos de usar farda. Porquê as frases feitas? Porque tenho de ir a uma entrevista toda ”pipi” quando nunca usei um fato, saltos altos ou base, tenho um alfinete e (como uma amiga me diz com frequência) “pregos” nas orelhas. Supostamente o empregador deveria saber quem está a contratar, a autenticidade do papel que essa pessoa representa na sociedade e como encaixa nas funções que irá exercer. O personagem à sua frente não é necessariamente o colaborador de amanhã, podendo até ser um perfeito inútil.
 A entidade patronal acaba por reduzir a sua avaliação à habilidade de representar; contudo, não adoptamos diversos papéis no nosso dia-a-dia? Não é a capacidade de representarmos que indica se somos ou não socialmente capazes? Como Yann Tiersen numa música – não te preocupes querida que tenho um novo emprego e nunca falto… Teremos amadurecido quando nos tornamos bons jogadores, ou já sabemos os truques necessários para avançarmos de nível com relativa facilidade sem nos questionarmos quem somos ou no que espelhamos?
Bem ainda sou uma aprendiz neste jogo, não tenho respostas e questiono-me com frequência as suas regras, bem como a coerência entre a minha espinha dorsal e o papel que adopto.
(d Trintona)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011


FMI, festival de música independente em Braga.
A ideia foi engraçada e pujante, contudo precisa de muito polimento organizacional.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

50 anos celebra a Aministia Internacinal

 (Filme de Carlos Lascano)

Tanto por fazer numa altura em que o sol ainda só nasce para alguns, a liberdade é um previlégio e a água é um diamante escasso e justificação para o morticínio. É impressionante e lamentável como os mesmos erros perpetuam-se e a intolerância mantem-se tão enraizada, indiferente a géneros, raças, idades e classes sociais...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O silêncio é teu gémeo no Infinito.
Quem te conhece, sabe não buscar.
Morte visível, vens dessedentar
O vago mundo, o mundo estreito e aflito.

Se os teus abismos constelados fito,
Não sei quem sou ou qual o fim a dar
A tanta dor, a tanta ânsia par
Do sonho, e a tanto incerto em que medito.

Que vislumbre escondido de melhores
Dias ou horas no teu campo cabe?
Véu nupcial do fim de fins e dores.

Nem sei a angústia que vens consolar-me.
Deixa que eu durma, deixa que eu acabe
E que a luz nunca venha despertar-me!
                                  (A noite, Fernando Pessoa)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sem título

O conceito de casa desmoronou-se. O sentimento de pertença dissipou-se. É uma destruição lenta contudo consistente. As paredes são cada vez mais finas e frágeis. Os grãos de areia vão pousando vagarosamente, sem cessar no chão, delineando as divisões. As janelas apresentam manchas do tempo, de negligência, numa ou outra é possível ver alguns sinais de desgaste, umas lascas aqui e ali. A porta de grande envergadura, madeira escurecida e baça, abre-se ruidosamente após o rodar da maçaneta. O interior vazio, respirar torna- se ensurdecedor. Lá fora, em redor, tudo é árido, os pássaros e as plantas não se avistam a largas léguas de distância, deixaram de procurar vida por estas bandas.
E a casa a desaparecer com o embate do vento, da chuva e do sol; a sua história diluída, extinta, apagada. Nada.
(d Trintona)

sábado, 6 de agosto de 2011

 

Não querendo ser subversiva, contudo estou a ficar um pouco cansada de ser alvo de chacota num contexto político nacional/internacional autista e vicioso. Infelizmente a relação entre este clip e o meu estado de espirito é cada vez mais estreita - manifestando-se com maior frequência do que gostaria....
  


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Tentas, de longe, dizer que estás aqui.
Com peso triste caminha na rua o Outono.
O meu coração debruça-se à janela
a ver pessoas e carros, e as folhas caindo.

Mastigo esta solidão
como quando era pequeno e jantava
diante dos pais zangados:
devagar, ausente
(Musa Irregular, Fernando Assis Pacheco)