domingo, 5 de junho de 2011

Um papelinho, vá lá só um, faz-me esse favorzinho...

Bem, já exerci a minha função como cidadã portuguesa, só e apenas falta o próximo governo e restantes entidades políticas que governam o país, ou o representam, visto Portugal ser governado pelo bloco central europeu - perdoem-me o equívoco: dirigido pela chanceler alemã Angela Merkel; cumpram as suas obrigações para comigo como jovem portuguesa inserida no  actual contexto social e económico da grande maioria dos jovens portugueses e europeus. Já estou há uns aninhos à espera, contudo cultivo a paciência como uma virtude e continuo cumprindo as minhas obrigações – voto, tenho os impostos em dia, desconto para a segurança social (de forma a cobrir a reforma e custos de saúde dos meus avós e pais) não tenho dívidas, gasto um pouco menos do que posso e até tenho um porquinho (por enquanto miniatura) para a minha reforma.
(d Trintona)

sábado, 4 de junho de 2011


E sequem-se-me os dedos a cabeça
estoire e não fique de tudo uma palavra
se a maldição for tanta que eu te esqueça

e não reste sequer o chão e não de quantas ruas e
não já reste a cidade

e seja a memória deste homem um escárnio ocultado por quinze
gerações de vindouros
com seus cães que se deitam aos pés das pessoas e parecem adivi-


nhar a linguagem monstruosa
das narinas resfolegando

se a maldição for tanta e tão perfídia
que eu te esqueça na morte, que eu te esqueça
                                              (A musa irregular, Fernando Assis Pacheco)

sábado, 28 de maio de 2011

Do cobertor à leitura, ou vice-versa

Tenho uma grande paixão, para alguns poderá também classificar-se como obsessão, ler. Quando leio sonho, amo, rio, sofro; vivo, como uma espectadora oculta, contudo presente no livro, o respectivo enlace ou desenlace, com uma intensidade tal que o seu término requer pelo menos dois dias de luto. Em cada livro fica armazenado um fragmento da minha alma. Como o cobertor do Linus em Charlie Brown, necessito deste escape que é ler.
Por vezes questiono-me desta necessidade e, embora raras ocasiões dedique à introspecção (pronto, pronto, inúmeras vezes, constantemente), determinado pensamento emerge lacerante – será o livro um nobre substituto para inexistente coragem de viver?
(d Trintona)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

"A indiferença dissolve a linguagem, baralha os sinais. És paciente e não esperas, és livre e não escolhes, estás disponível e nada te mobiliza. Não pedes nada , não exiges nada, não impões nada. "
(Georges Perec)

terça-feira, 17 de maio de 2011

reflexões de quem não tem sono e nada produtivo em vista... (3)

Ontem, quando decidi actualizar-me das novas tendências e afins, eis no que os meus olhos deparam: golfe para a casa de banho, perdoem-me é mais uma pequena amostra dada a sua dimensão. Efim, um engenho interessante e de utilidade discutível. Tiro o chapéu ao marketing que, inserido num meio de cultura perfeito - sociedade capitalista, criou mais uma necessidade. E assim vão se mantendo alguns (ou muitos) entretidos.
(d Trintona)

quarta-feira, 4 de maio de 2011


"Agora vives no inesgotável. Cada dia é feito de silêncios e de ruídos, de luzes e de negro, de espessuras, de esperas, de arrepios. O que importa é perderes-te mais uma vez, para sempre, cada vez mais, vaguear sem fim, encontrar o sono, uma certa paz do corpo: abandono, lassidão, entorpecimento, deriva. Deslizas, deixas- te afundar, ceder: procurar o vazio, evitá-lo, caminhar, parar, sentares-te a uma mesa, encostares-te, estenderes-te."
               (George Perec)